Ontem, no blog Born to Learn, Ken Rosen publicou um longo post sobre uma recente estória envolvendo Braindumps. Deu trabalho, mas traduzi o post inteiro aqui para este blog:
Caso Braindump: No ciberespaço, todos podem ouvir seus gritos
Braindumps. Todos sabemos que eles estão aí, e todos sabemos que é errado usá-los, e é mais errado ainda distribuí-los. (Descertificação vitalícia seria a menor das preocupações). Mas, assim como a pirataria de software, sabemos que existe um submundo neste negócio e nós fazemos o nosso melhor para garantir que ele fique marginalizado.
É por isso que ficamos alarmados e surpresos alguns meses atrás, quando percebemos um tweet de um de nossos leitores:
Tradução do tweet: Estou participando de um curso Microsoft e hoje tivemos um instrutor certificado Microsoft que promoveu dumps de exames. Não gostei.
Opa – quando um MCT é acusado de promover braindumps, é quase bingo. A comunidade MCT é uma comunidade Microsoft das mais antigas e que temos orgulho; e sabemos que isso deveria ser uma exceção muito, muito rara e não a regra.
Ainda assim, uma hora depois, outro MCP continuou:
Tradução do Tweet: vi o mesmo no passado… de fato, um dava PDFs da MS Press também. Incentivava as colas/pirataria, desvalorizava todo o programa MCP
… e até este ponto, a única coisa incomum nessa estória é que as mensagens foram via Twitter em vez do nosso tctips@microsoft.com. Mas aí vem a reviravolta na estória
Algumas horas depois, recebemos este e-mail do MCT referenciado no primeiro tweet:
“Vi no Twitter que um de meus alunos [redigido] queixou-se sobre a forma que falo sobre a preparação para exames (ele menciona que promovo dumps).
Deixe-me começar dizendo que concordo com o que ele diz sobre o que estou fazendo (promovendo) é um comportamento inadequado como você disse em sua resposta ao tweet dele, e irei ajustar meu comportamento apropriadamente.
Tendo dito isso, tenho 2 comentários a fazer:
Em primeiro lugar: Na minha opinião, não promovo o uso de ‘dumps’. Eu simplesmente afirmo que eles estão aí e digo que existem pessoas que estão usando estes métodos para passar nos exames. Isso pode ser considerado promoção. Como instrutor, assumo total responsabilidade sobre como as pessoas entendem o que digo.
Em segundo lugar: Não acho que simplesmente ignorar o fato de que existem sites como [redigido] onde qualquer um pode baixar exames recriados praticamente perfeitos de graça com comentários bem recentes sobre real validade deles seja a abordagem correta. Ignorá-los não nega o fato de que pessoas que sabem da existência deles, podem procurá-los e usá-los e fazendo isso prejudica o valor da certificação. No campo da segurança isso é considerado ‘segurança pela obscuridade’. Neste caso isso significa que pessoas que não sabem sobre eles acham que todos que passaram em um exame investiu o mesmo esforço para isso e as pessoas que sabem sobre eles morrem de rir e pegam atalhos, desvalorizando assim a certificação daqueles que fizeram da forma correta.
Tenho conversado com representantes da Microsoft Learning como [redigido] sobre o fato da existência destes sites e perguntando o que a Microsoft tem feito sobre isso. Portanto, eu sei de ‘proxy exams’ na ìndia e arredores e que ações judiciais foram tomadas em companhias como [redigido]. Mas ainda me incomoda que sites como [redigido] tem estado no ar por pelo menos 5 anos. Eu esperava que mencionando o fato aos meus alunos (que estão investindo tempo e dinheiro em aprender o produto para se certificar) pudesse ajudar a pôr pressão na Microsoft. Aparentemente isto está sendo interpretado de forma diferente do que eu pretendia e vou evitar isso de agora em diante. No entanto, não vou parar de perguntar à Microsoft a qualquer momento se posso tomar medidas contra estes sites, porque acho que não mencioná-los é ruim, mas o fato é que eles estão aí.
Se vocês acham que todas as ações contra minha pessoa sejam adequadas, aceitarei porque, como disse, assumo total responsabilidade por minhas ações.”
Ok agora. Há tantos aspectos interessantes nesta estória que não tenho certeza por onde começar.
Vamos começar aqui: Em primeiro lugar, ofereço todo meu apreço para os dois indivíduos que vieram e enviaram tweets sobre o instrutor em questão, assim como o instrutor que se manifestou voluntariamente para se explicar. Aprecio a integridade que todos mostraram em suas ações e se mais pessoas se manifestassem quando vissem algo de errado acontecendo, teríamos um programa de certificação ainda mais forte do que temos hoje. É por respeito a eles que redigi/suprimi todos os detalhes de identificação.
Agora, vamos examinar algumas das afirmações do instrutor:
“… não promovo o uso de ‘dumps’. Eu simplesmente afirmo que eles estão aí e digo que existem pessoas que estão usando estes métodos para passar nos exames.”
Este é um daqueles casos em que a entrega pode dizer muito mais do que o conteúdo propriamente dito, mas vamos levá-lo em sua palavra, não é? O que não consigo entender é o seguinte: em que ponto no curso ajuda os alunos a saber que braindumps ‘estão lá, e … que há pessoas que estão usando esses métodos para passar nos exames?’
Ah, talvez seja aqui:
“Ignorá-los não nega o fato de que pessoas que sabem da existência deles, podem procurá-los e usá-los e fazendo isso prejudica o valor da certificação. No campo da segurança isso é considerado ‘segurança pela obscuridade’. Neste caso isso significa que pessoas que não sabem sobre eles acham que todos que passaram em um exame investiu o mesmo esforço para isso e as pessoas que sabem sobre eles morrem de rir e pegam atalhos, desvalorizando assim a certificação daqueles que fizeram da forma correta.”
Se o entendi bem, acho que o argumento é algo como: Eu digo aos meus alunos que braindumps existem, assim eles sabem que existem pessoas anti-éticas por aí que estão lucrando com o trabalho duro e íntegro daqueles que usam o caminho certo e que é importante as pessoas com integridade a ficarem alertas para as pessoas sem integridade.
Talvez seja um exagero, mas estou sendo muito generoso com o benefício da dúvida. Apesar de ter enfrentado um teste bem grande quando cheguei aqui:
“Eu esperava que mencionando o fato aos meus alunos (que estão investindo tempo e dinheiro em aprender o produto para se certificar) pudesse ajudar a pôr pressão na Microsoft. Aparentemente isto está sendo interpretado de forma diferente do que eu pretendia e vou evitar isso de agora em diante.”
Então, a menos que eu não tenha interpretado errado, acredito que a hipótese dele é: “se eu falar aos alunos sobre os braindumps, talvez eles emprestem sua voz à minha e então a Microsoft vai certamente entrar em ação!”
Mas a única voz que ouvimos foi:
Tradução do tweet: Estou participando de um curso Microsoft e hoje tivemos um instrutor certificado Microsoft que pomoveu dumps de exames. Não gostei.
… posso não ter sido o único a ter interpretado mal.
A coisa é, por sua própria confissão, este instrutor sabe que tomamos medidas contra estes sites de braindump. Ele havia falado com algumas pessoas de nossa equipe e citou exemplos específicos onde tínhamos tomado medidas, então ele praticamente sabe que ele – e ninguém – entrou em contato direto com nossa equipe de fraude/anti-pirataria através do e-mail tctips@microsoft.com. Essa seria a melhor estratégia se você quiser chamar nossa atenção, especialmente se você não quer que ninguém mais interprete você mal. Mas não recebemos nada dele ou de seus alunos.
Mas, de longe, a parte mais interessante da estória é o fato que não aconteceu por e-mail – se desenrolou pelo Twitter. O aluno que relatou seu instrutor não sussurrou em nossos ouvidos; ele usou um megafone em praça pública.
Isso tem alguma coisa a ver com o porquê do instrutor se manifestou tão rapidamente? Não sei.
Mas sei que se eu fosse esse instrutor, eu teria suado em bicas aquele dia, esperando que meu aluno não tivesse revelado o meu nome para o mundo inteiro.
O que me leva à minha conclusão particular desta estória:
Na Microsoft, com certeza investigamos e agimos em alegações de má conduta, mas tendemos a fazer isso de forma privada. Cole em um exame e você descertificado, possivelmente para sempre. Mas isso é entre você e nós – é altamente improvável que publicaremos uma estória sobre isso (apesar deste post no blog).
Mas se um parceiro, colega de escola, instrutor, candidato ao exame ou mesmo um gerente descobre que você está usando um atalho anti-ético, eles possivelmente poderão começar a falar. (Na verdade, a maioria das fraudes e denúncias chegam até nós desta maneira). Na maioria das vezes, eles vêm direto a nós, mas agora temos um precedente vindo através das rede3s sociais - e isso significa que sua reputação está em jogo de verdade.
Alimento para seu pensamento.
Qual sua opinião sobre isso? Deixe-nos saber.
Para ler mais:
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Categoria(s): Certificação, Microsoft

Fico triste com pessoas que buscam o caminho mais fácil, assim acaba prostituindo o mercado de TI, e ainda mais o real peso das certificações. De que adianta ter certificação e não saber usar o produto? Estudei muito e posso dizer que sei usar o produto que me certifiquei!
Você assiste a série House? Ela é rica em frases de efeito como “As pessoas escolhem caminhos que levam à grandes recompensas pelo menor esforço”.
Brasileiro é pior ainda. Não pensa se é certo ou errado, mas entende o braindump como uma opção e a escolhe.
Infelizmente a MS não divulga mais as ações que ela toma.
Algum pouco tempo atrás um cara de SP foi preso por falsificar certificados.
Man, infelizmente sabes que essa prática é muito antiga, pelo menos conheço a existência de Braindumps desde 1998. A postura do MCT é condenável. Sempre tem alunos que comentam que ouviram falar, mas daí pra passar links ou até mesmo pdf com as questões é uma atitude muito infeliz.
Na minha última prova vi um cara na minha frente com um braindump de uma prova da IBM e perguntei porque ele estava usando. O argumento foi de que sem a certificação ele perderia o emprego dele. E aí? Custava estudar um pouco e fazer a prova com a consciência limpa? Um abraço.
Saber que existem e ler alguns eh uma coisa, agora ter consciencia de que nao esta se preparando para o ‘futuro emprego’ eh outra, uma vez me disseram ‘certificacao apenas diz para a empresa pode confiar o teclado e mouse a vc’, o resto vem com curriculo.
Vou resumir o comentário a uma analogia:”Já pensou braindump num vestibular, concurso, …?”, Será que viriam bons profissionais daí, até aonde o senso ético pode chegar.
Já tive que trabalhar junto com Paper MCSEs. Caras que nem sabiam da existência daquela compactação NTFS (que tem desde o Windows NT) e quando eu explico o que é, aplicam pra todo o C: em servidor de produção.
O mercado quando reconhece um ‘profissional’ desses não perdoa.
É muito desonesto e forma-se um profissional sem habilidade real para lidar com o trablaho diário. Quem faz um negócio desses está enganando a si mesmo.
Infelizmente profissionais “Paper MCSE” estão por aí.
Tive de lidar com alguns. Principalmente no passado. Hoje em dia não tenho encontrado muitos.
Sou certificado e estudei muito para fazer todas as provas.
Concordo com o fato de que os alunos devem ser informados sobre o mundo underground dos simulados. Mas não com o fato de que este deve ser utilizado como caminho para certificação. Não dá para viver num mundo de faz de conta.
Já vi justificativas do tipo: para que gastar u$ 80,00,u$ 100, u$ 200 para fazer uma prova sem consulta e correr o risco de reprovar , se posso pagar, consultar o simulado e ter a certeza de que vou passar. O valor pago para fazer as provas é um problema para muitos.
é um fela da pu….!!!!!!!!!